O Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) participou do Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável 2026, realizado em Santiago, no Chile, entre os dias 13 e 16 de abril. O evento foi organizado pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), órgão regional das Nações Unidas criado em 1948 para promover o desenvolvimento econômico e social da região.
O Fórum reuniu representantes de governos, autoridades locais, especialistas, organismos internacionais e sociedade civil para debater os avanços e desafios da região no cumprimento da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Cidades e Agenda 2030 foi tema em evento paralelo organizado pelo ICS
No dia 15 de abril, o Instituto Cidades Sustentáveis promoveu um evento paralelo sob o tema “¿Cómo van las ciudades latinoamericanas en la Agenda 2030? Avances y desafíos rumbo al 13º Foro Urbano Mundial”, com foco no atual estágio das cidades latino-americanas e caribenhas na Agenda 2030, destacando experiências concretas, desafios locais e estratégias para acelerar o cumprimento dos ODS.
A atividade reforçou a importância de fortalecer políticas públicas estruturantes e mecanismos de financiamento capazes de impulsionar o desenvolvimento sustentável nos territórios urbanos, considerando que as cidades são o espaço onde as desigualdades se expressam com maior intensidade e também onde surgem soluções inovadoras e articuladas.
Durante o evento, representantes do Instituto Cidades Sustentáveis (ICS), CEPAL, Caixa, ONU-Habitat, Secretaria de Planejamento do Estado de Aguascalientes (México), Comissão Nacional dos ODS do Brasil e Governo de Bogotá (Colômbia) apresentaram os avanços sobre governança, cooperação internacional, planejamento urbano e o papel dos governos locais no enfrentamento das crises sociais, ambientais e econômicas que atravessam a região.
Relatório da Cepal alerta para desaceleração no cumprimento dos ODS
Durante o Fórum, a Cepal divulgou um relatório que apresenta um panorama preocupante sobre o ritmo de avanço da América Latina e do Caribe na Agenda 2030. Segundo o documento, no ritmo atual, a região atingirá apenas 19% das metas até 2030, percentual inferior aos 23% estimados no ano anterior.
O relatório aponta ainda que:
- 42% das metas seguem na direção correta, porém em ritmo muito lento;
- 39% das metas estão estagnadas ou em retrocesso em comparação com 2015;
- A América do Sul apresenta o maior percentual de metas com projeção de alcance (19%), seguida por América Central e México (18%) e Caribe (13%).
A Cepal destaca que os desafios para alcançar os ODS se intensificaram ao longo de 2025 e início de 2026, diante de um cenário global marcado por incertezas e fragmentação geopolítica, que impactam diretamente a cooperação internacional, o financiamento e a capacidade de implementação de políticas públicas.
Desigualdades, fome e crise climática seguem entre os principais obstáculos
O relatório também evidencia que, em cinco objetivos, nenhum dos indicadores avaliados atingiria os limiares necessários até 2030, com destaque para:
- ODS 1 (Erradicação da pobreza)
- ODS 9 (Indústria, inovação e infraestrutura)
- ODS 10 (Redução das desigualdades)
- ODS 13 (Ação climática)
- ODS 16 (Paz, justiça e instituições eficazes)
O ODS 10, voltado à redução das desigualdades, concentra o maior percentual de metas em situação crítica, com retrocessos em áreas como políticas fiscais e sociais, migração segura e governança global inclusiva.
Outro alerta importante é sobre o ODS 2 (Fome Zero), que segue com grandes desafios: a persistência da desnutrição e da má nutrição, além da volatilidade nos preços dos alimentos, agrava a insegurança alimentar em diversos países da região.
O documento também aponta atrasos significativos em políticas nacionais voltadas à ação climática e adaptação (ODS 13), além de registrar perda de biodiversidade e aumento da desertificação (ODS 15). Retrocessos importantes também foram identificados em áreas como consumo e produção responsáveis (ODS 12) e gestão da água e saneamento (ODS 6).
Avanços pontuais: energia limpa apresenta melhor desempenho
Apesar do cenário desafiador, o relatório mostra que alguns ODS apresentam perspectivas mais positivas. O ODS 7 (Energia Limpa e Acessível) se destaca como o único em que nenhuma meta aparece em retrocesso ou estagnação. Segundo a Cepal, 80% das metas e 83% dos indicadores desse Objetivo seguem tendência correta, com destaque para avanços em energias renováveis, eficiência energética e cooperação internacional.
No caso do ODS 14 (Vida na água), cerca de 50% das metas e indicadores apresentam tendência positiva, com avanços na proteção de áreas marinhas e nos subsídios à pesca, embora ainda existam defasagens na gestão dos ecossistemas costeiros.
Além disso, o relatório aponta que menos de 20% das metas dos ODS 5 (Igualdade de gênero), 7, 11 (Cidades e comunidades sustentáveis) e 14 estão em situação de estagnação ou retrocesso, o que indica oportunidades concretas para acelerar resultados nesses campos.





