Evento promovido pelo Instituto Cidades Sustentáveis debateu desafios e soluções para o desenvolvimento sustentável, lançou o IDSC-BR 2026 e apresentou novos caminhos para enfrentar a emergência climática e ampliar o financiamento das cidades
Como transformar os compromissos da Agenda 2030 em ações concretas nos territórios? Essa foi uma das principais questões que orientaram a quarta edição do Fórum Cidades Sustentáveis, realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) no dia 27 de agosto, no Sesc Paulista, em São Paulo.
Com o tema “Acelerando a implementação da Agenda 2030”, o encontro reuniu gestores públicos, pesquisadores, representantes de organismos multilaterais, empresas e organizações da sociedade civil para discutir os desafios e as oportunidades para avançar na construção de cidades mais sustentáveis, inclusivas e resilientes. O evento foi transmitido ao vivo pelo Youtube do Programa Cidades Sustentáveis e é uma realização do Instituto Cidades Sustentáveis, no âmbito do Programa Cidades Sustentáveis, uma co-realização do Sesc, co-financiamento da União Europeia, apoio da Fundação Grupo Volkswagen e Movimento Bem Maior, além do patrocínio da Caixa Econômica Federal.
Um dos destaques da programação foi o lançamento do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR) 2026, desenvolvido pelo Instituto Cidades Sustentáveis no âmbito do Programa Cidades Sustentáveis. Em sua quinta edição, o índice permite acompanhar a situação dos 5.570 municípios brasileiros em relação aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a partir de 100 indicadores distribuídos em diferentes áreas, como saúde, educação, renda, habitação, mobilidade e meio ambiente.
Dados para orientar políticas públicas
Abrindo os debates do Fórum, o primeiro painel “Desafios do Desenvolvimento Sustentável nas Cidades” discutiu os principais desafios para avançar na implementação do desenvolvimento sustentável nos municípios brasileiros. A conversa abordou as desigualdades territoriais, a segurança alimentar e nutricional e os impactos do racismo ambiental, destacando a necessidade de políticas públicas integradas baseadas em dados, capazes de considerar as diferentes vulnerabilidades presentes nos territórios.
Participaram Arilson Favareto, professor de Planejamento Territorial da Universidade Federal do ABC (UFABC); Thaynah Gutierrez, assessora de Clima e Racismo Ambiental do Geledés – Instituto da Mulher Negra; e Lilian Rahal, secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A mediação foi de Jorge Abrahão, do Instituto Cidades Sustentáveis.

Na sequência, o segundo painel “Práticas do Desenvolvimento Sustentável nas Cidades” trouxe experiências concretas de municípios que vêm desenvolvendo políticas e iniciativas alinhadas ao desenvolvimento sustentável. O debate mostrou como a Agenda 2030 pode ser incorporada à gestão pública a partir de estratégias locais, planejamento e articulação entre diferentes áreas e atores. Participaram Guto Volpi, prefeito de Ribeirão Pires (SP) e Cristiane Sales Leitão, primeira-dama de Fortaleza (CE) e presidente do Comitê de Governança do Plano Fortaleza Inclusiva. A mediação foi de Zuleica Goulart, coordenadora do Programa Cidades Sustentáveis do ICS.

Da agenda global aos desafios dos territórios
No período da tarde, o ICS apresentou o projeto “Grandes Desafios Estaduais para a implementação da Agenda 2030”, iniciativa que busca ampliar a compreensão sobre os principais desafios enfrentados pelos estados brasileiros e contribuir para a construção de estratégias alinhadas aos ODS.
A proposta parte do entendimento de que a Agenda 2030 precisa ser territorializada e conectada às diferentes realidades brasileiras. Afinal, acelerar o desenvolvimento sustentável exige reconhecer desigualdades, capacidades e desafios específicos de cada território.
Empresas e sociedade civil também têm papel estratégico
O terceiro painel “Impulsionando o desenvolvimento sustentável nas cidades: o papel das empresas e da sociedade civil” ampliou a discussão para o papel do setor privado e da sociedade civil na construção de cidades mais sustentáveis. Os participantes discutiram como empresas, organizações e instituições podem atuar em parceria com o poder público, mobilizando conhecimento, recursos, inovação e estratégias de impacto para enfrentar desafios sociais e ambientais. O painel reuniu Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos; Juliana Bueno, Head de Parcerias Governamentais do Google Brasil; Bernardo Vaz de Oliveira Soares, gerente da Divisão de Gestão de Responsabilidade Social da Itaipu Binacional; e Domênica Falcão, gestora de Impacto Social da Fundação Grupo Volkswagen. A moderação foi de Gustavo Zaven, da área de Parcerias do ICS.

Emergência climática exige ação nas cidades
Os desafios impostos pela emergência climática aos municípios estiveram no centro do quarto painel “Como enfrentar a emergência climática nas cidades”. A discussão abordou as ações implementadas nas cidades para fortalecer políticas de adaptação, planejamento urbano e gestão ambiental para reduzir riscos e ampliar a resiliência das cidades diante dos impactos das mudanças climáticas. O debate contou com Andrea Maria de Castro, vice-prefeita e secretária de Habitação de Cubatão (SP); Matheus Magalhães Barros, secretário municipal de Urbanismo e Habitação de Maringá (PR); e Liuca Yonaha, vice-presidente do Instituto Talanoa. A mediação foi de Andrea Struchel, diretora da Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (ANAMMA).

Financiamento é condição para acelerar a Agenda 2030
Encerrando os debates, o quinto painel “Como acelerar o financiamento para o desenvolvimento sustentável nas cidades” colocou em pauta um dos principais desafios para a implementação da Agenda 2030: o acesso a recursos e mecanismos de financiamento para projetos de desenvolvimento sustentável nos municípios. Representantes de instituições financeiras trouxeram as experiências e apresentaram os caminhos para ampliar investimentos, fortalecer a capacidade dos governos locais e viabilizar projetos bem elaborados de médio a longo prazo relacionados ao desenvolvimento urbano sustentável. Participaram Jean Benevides, diretor de Sustentabilidade e Cidadania Digital da Caixa Econômica Federal; Camila Maleronka, especialista sênior da Divisão de Habitação e Desenvolvimento Urbano do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); Allan Amaral Paes de Mesentier, chefe do Departamento de Desenvolvimento Urbano do BNDES; e Thaís Ferraz, diretora do Instituto Clima e Sociedade (iCS). A mediação foi de Jorge Abrahão, do Instituto Cidades Sustentáveis.

Acelerar exige cooperação
Ao longo de toda a programação, uma mensagem esteve presente: a implementação da Agenda 2030 depende de articulação entre diferentes setores e níveis de governo.
O Fórum Cidades Sustentáveis 2026 reafirmou o papel das cidades como espaços fundamentais para a construção de soluções para os grandes desafios contemporâneos – da redução das desigualdades à emergência climática – e reforçou a importância de utilizar dados, fortalecer políticas públicas e ampliar parcerias e mecanismos de financiamento.
Mais do que acompanhar o cumprimento dos ODS, acelerar a Agenda 2030 significa transformar conhecimento em decisão, decisão em política pública e política pública em melhoria concreta da vida das pessoas.
É esse movimento que o Instituto Cidades Sustentáveis busca fortalecer por meio do Programa Cidades Sustentáveis, conectando dados, conhecimento e articulação para apoiar municípios brasileiros na construção de um desenvolvimento mais justo, inclusivo e sustentável.


