Mapa da Desigualdade da Região Metropolitana de São Paulo: estudo inédito revela desigualdades entre os 39 municípios

O Instituto Cidades Sustentáveis e a Rede Nossa São Paulo lançam a primeira edição do Mapa da Desigualdade da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), um estudo inédito que reúne 40 indicadores sociais, econômicos e ambientais, organizados em nove áreas temáticas, para retratar as desigualdades e as diferentes condições de vida nos 39 municípios da região.

A publicação apresenta uma classificação geral baseada nos indicadores analisados. São Caetano do Sul ocupa a primeira posição do ranking, enquanto Pirapora do Bom Jesus aparece na última colocação. A capital paulista, São Paulo, figura na 16ª posição.

Além do ranking geral, o estudo permite comparar o desempenho de cada município em temas essenciais para a qualidade de vida da população, como saúde, educação, segurança pública, mobilidade, meio ambiente, trabalho e renda, habitação e outros indicadores estratégicos para o planejamento urbano e a formulação de políticas públicas.

Ao reunir dados oficiais em uma plataforma acessível, o Mapa da Desigualdade da Região Metropolitana de São Paulo busca ampliar a transparência, apoiar gestores públicos, pesquisadores, organizações da sociedade civil e cidadãos na compreensão dos desafios e oportunidades para reduzir desigualdades e promover o desenvolvimento sustentável na região.

Ranking geral da Região Metropolitana de São Paulo

O mapa mostra também que as desigualdades metropolitanas não se organizam em uma única direção. Os municípios possuem estruturas econômicas, capacidades administrativas, perfis demográficos e redes de serviços distintas. Por isso, o estudo permite identificar as necessidades e vulnerabilidades de cada cidade, de modo que os gestores públicos possam definir prioridades em investimento e políticas públicas.

“Há municípios vizinhos, integrados pelos mesmos fluxos econômicos e populacionais, mas com condições muito diferentes de acesso a direitos e serviços públicos. O diagnóstico territorial é fundamental para orientar investimentos, fortalecer a cooperação entre as prefeituras e fazer as políticas públicas chegarem primeiro aos locais onde as vulnerabilidades são mais acentuadas”, comenta Jorge Abrahão, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo e do Instituto Cidades Sustentáveis.

Ranking geral dos 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo no Mapa da Desigualdade 2026

Saneamento: onde falta o básico

Os contrastes mais expressivos do Mapa estão na área do saneamento básico. Em Juquitiba, a 70 quilômetros da capital, apenas 19,5% da população é atendida com rede de esgotamento sanitário – em Poá, Santo André e Taboão da Serra, esse percentual é de 100%.

Em 11 municípios, todos dos moradores têm cobertura no abastecimento de água, mas em São Lourenço da Serra e Juquitiba menos da metade dos habitantes (49%) é atendida pelo serviço. 

A coleta seletiva de resíduos também apresenta lacunas importantes. Em oito cidades da RMSP, a totalidade da população é atendida pelo serviço. No entanto, há municípios em que menos de 5% dos habitantes têm coleta seletiva; é o caso de Suzano (1,7% da população) e de São Lourenço da Serra (3%).

Transporte: deslocamento penaliza a população de baixa renda

As desigualdades entre os municípios aparecem também na área de mobilidade e reforçam o caráter metropolitano do problema. Em diversas cidades, boa parte da população de baixa renda leva mais de uma hora para se deslocar ao local de trabalho. Francisco Morato tem o pior indicador: 52% das pessoas com renda inferior a meio salário mínimo levam mais de 60 minutos neste trajeto. Em Ferraz de Vasconcelos, o percentual é de 42%; na capital São Paulo, 37%.

Onde se vive mais (e menos): 15 anos de diferença

A área da saúde concentra o maior número de indicadores do Mapa – são 14 no total. Desnutrição infantil, cobertura vacinal, mortalidade infantil, mortalidade materna, idade média ao morrer e gravidez na adolescência (incluindo recorte de raça) são alguns exemplos.

Em São Caetano do Sul, a idade média ao morrer é de 76 anos; em Santo André, 71 anos. São as duas cidades onde se vive mais na Região Metropolitana e as únicas em que o indicador supera os 70 anos. São Paulo aparece na terceira posição, com 69 anos.

No outro extremo, a idade média ao morrer em Francisco Morato é de 60 anos, ou seja, uma diferença de 16 anos para São Caetano do Sul. Em outras 14 cidades, as pessoas vivem menos de 65 anos, em média.

A cobertura vacinal também é um desafio para muitas cidades. Na maioria dos 39 municípios, menos de 70% da população-alvo foi imunizada. Os melhores indicadores estão Vargem Grande Paulista (99,8% da população vacinada) e Pirapora do Bom Jesus (97%). Rio Grande da Serra, no ABC Paulista, tem o pior desempenho: 29% de cobertura vacinal. São Lourenço da Serra (32%) e Jandira (34%) aparecem em seguida.

Um em cada três jovens não conclui ensino médio

Na área da educação, o Mapa mostra que apenas 66,5% dos jovens entre 18 e 19 anos concluíram o ensino médio na Região Metropolitana de São Paulo. A cidade com o melhor indicador é Guararema (86%), seguida por Juquitiba e Poá (ambas com 79%). Salesópolis apresenta o pior desempenho (52%); em São Paulo, 59,8% dos jovens entre 18 e 19 anos concluíram o ensino médio.

PIB elevado não garante redução das desigualdades

Na dimensão econômica, Cajamar apresentou o maior PIB per capita, com R$ 312.708,11. O menor valor foi registrado em Francisco Morato, com R$ 13.549,01 –23 vezes a menos. Na capital, o indicador é de R$ 93.156,23.

O PIB per capita expressa o valor da produção econômica dividido pela população e não representa, necessariamente, a renda efetiva recebida pelos moradores. Municípios que concentram grandes empresas, centros logísticos ou atividades industriais podem apresentar PIB elevado sem que essa riqueza se converta, necessariamente, em melhores condições de vida ou menor desigualdade.

Mais de um quarto da população de Mauá vive em favelas

Na área de habitação, Mauá apresenta a maior proporção de moradores em favelas e comunidades urbanas: 27,5% da população. Em seguida aparecem Itaquaquecetuba, com 24,7%, e Diadema, com 22,3%.

Sete municípios registraram percentual igual a zero neste indicador: Guararema, Juquitiba, Salesópolis, Santa Isabel, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra e Vargem Grande Paulista. Em São Paulo, 15% dos moradores vivem em favelas e comunidades urbanas.

Violência e desigualdades territoriais

A taxa de homicídios também apresenta diferenças relevantes entre os 39 municípios da RMSP. Biritiba Mirim e São Lourenço da Serra registraram taxa igual a zero, enquanto Pirapora do Bom Jesus chegou a 16,3 homicídios por 100 mil habitantes.

Na área de segurança pública, o Mapa também contempla indicadores de feminicídio, violência contra a população LGBTQIA+ e diferenças nas taxas de homicídio entre a população preta e parda e a população branca e amarela.

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