Eleição é um bom momento para avaliarmos as propostas mais alinhadas com o que desejamos
Por Jorge Abrahão, coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis
Na semana passada, listei perguntas que julgo relevantes aos candidatos à presidência: sobre visão de país, soberania nacional, democracia, desigualdades, mudança climática e redes digitais.
Complemento aqui com algumas questões que podem contribuir para identificar as diferenças entre as candidaturas, sem ter a pretensão de esgotar as possibilidades. Com certeza há outros temas e outras perguntas a serem feitas, mas fica registrada uma proposta para avaliar o que os candidatos pensam a respeito de alguns dos principais problemas e desafios do país.
Segurança Pública
- A segurança tem sido apontada nas pesquisas como o problema que mais aflige a população. Qual sua proposta para melhorar a segurança no país?
- Qual é a sua opinião sobre a PEC da segurança pública, que integra as polícias e os órgãos de inteligência dos governos e define as atribuições federal, estadual e municipal sobre a questão da segurança pública. Você pretende implementá-la ou tem outra proposta?
Saúde
- Como melhorar a qualidade do serviço de saúde no país?
- Você pretende fortalecer o SUS na sua administração?
Educação
- O Brasil segue abaixo da média dos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) no Pisa. Qual sua proposta para melhorar a educação no país?
- Como pretende valorizar as professoras e professores? Oferecer bons salários e formação continuada são questões imprescindíveis para melhorar o nível da educação no Brasil. O que o seu programa de governo prevê nessa área?
- Aproximadamente 75% dos estudantes estão na rede pública. Qual é a sua proposta para fortalecer as universidades públicas?
A questão agrária e alimentar
- O agronegócio tem grande importância na economia do país, mas muitas empresas do setor ainda são responsáveis pelo agravamento dos problemas climáticos. Como você pretende lidar com essa questão?
- E como pretende lidar com os pequenos produtores, que produzem a maior parte dos alimentos consumidos pelos brasileiros?
- O que o seu plano de governo prevê sobre a reforma agrária no país?
Reforma Política
- Há quase um consenso sobre a necessidade de uma reforma política no Brasil. Qual é a sua proposta sobre o assunto?
- Você pretende propor uma mudança em relação às emendas parlamentares, que consomem parcela significativa do investimento do executivo?
O mundo do trabalho
- Qual é a sua opinião sobre a jornada de trabalho e a escala 6×1 no Brasil?
- Você acredita que existe uma falsa ideia de liberdade traduzida pelo empreendedorismo? Acredita que motoristas de aplicativos e entregadores são donos do próprio negócio?
- O que fazer com as bets, que têm provocado o endividamento de famílias, problemas de saúde mental e relacionamentos?
Geopolítica e governança global
- Desafios globais precisam de ações integradas dos países. É possível criar consenso sobre temas comuns que não respeitam fronteiras físicas, como guerras, pandemias, problemas climáticos e digitais?
- Você pretende fortalecer espaços de governança global como a ONU (Organização das Nações Unidas)?
O Brasil é um país importante no mundo. Temos 214 milhões de habitantes, riquezas naturais, biodiversidade única, floresta raríssima, muita água e 8 mil km de litoral. Além disso, criamos uma cultura fenomenal, resultado das alegrias e sofrimentos de um povo único.
Não devemos querer ser a potência do mundo, no que quer que seja. O tempo desse tipo de competição levou a humanidade a muitas guerras. Esse tempo já passou. Nosso caminho é o de aproveitar o que temos e proporcionar qualidade de vida para toda a população.
É possível, mesmo que em nossa trajetória tenhamos degradado o país, favorecendo alguns grupos de interesse pequenos e específicos. Temos o que é necessário, mas precisamos de lideranças à altura desse país que segue devendo reconhecimento à maioria da população que o constituiu. As eleições são um bom momento para avaliarmos as propostas mais alinhadas com o que somos e desejamos.
Artigo originalmente publicado na Folha de S.Paulo em 10 de setembro de 2026.

