Consolação lidera ranking geral; Brasilândia aparece na última posição pelo segundo ano consecutivo
O distrito da Consolação apresentou a melhor pontuação no Ranking Geral do Mapa da Desigualdade 2025, levantamento realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis e Rede Nossa São Paulo que analisa a qualidade de vida nos 96 distritos da capital paulista. Na outra ponta da lista, a Brasilândia registrou o pior desempenho geral pelo segundo ano consecutivo. O ranking geral foi divulgado nesta nesta terça-feira, 23 de junho.
A classificação é construída a partir de 45 indicadores distribuídos em áreas como saúde, educação, mobilidade, habitação, segurança pública, trabalho e renda, meio ambiente, cultura e direitos humanos.
Os resultados revelam uma tendência histórica da cidade: os distritos centrais e mais estruturados concentram os melhores indicadores, enquanto os territórios periféricos enfrentam maiores desafios de acesso a direitos e serviços públicos.

Quais são os melhores distritos de São Paulo segundo o Mapa da Desigualdade?
A Consolação alcançou 71 pontos de um total de 96 possíveis, ocupando a primeira colocação no ranking geral. Em seguida aparecem Moema, com 70,9 pontos, e Alto de Pinheiros, com 70,6 pontos.
O desempenho da Consolação foi impulsionado principalmente pelos resultados em saúde, habitação, educação e segurança pública.
Top 10 distritos com melhor qualidade de vida em São Paulo

Quais são os piores distritos de São Paulo?
A Brasilândia ficou na última posição do ranking geral, com 47,2 pontos. Vila Medeiros (48,8 pontos) e Cidade Ademar (50,2 pontos) completam as três últimas posições.
Entre os fatores que contribuíram para o resultado da Brasilândia estão os indicadores relacionados à habitação, saúde e segurança pública.
Os 10 distritos com pior desempenho no ranking

Mobilidade urbana: onde os moradores gastam mais tempo para se deslocar?
Além do ranking geral, o Mapa da Desigualdade atualizou indicadores relacionados à mobilidade urbana, um dos temas mais sensíveis para quem vive na cidade de São Paulo.
Tempo médio de deslocamento por transporte público
O distrito de Pinheiros registrou o menor tempo médio de deslocamento no horário de pico da manhã: 25 minutos.
Já os moradores de Marsilac enfrentam a situação mais crítica, com tempo médio de viagem de 71 minutos.
A média dos distritos da cidade é de 41 minutos.
Acesso ao metrô, trem e monotrilho
Os distritos da Bela Vista, Sé e República apresentam cobertura total de transporte de massa, com 100% da população vivendo a até um quilômetro de estações de metrô, trem ou monotrilho.
Por outro lado, 22 distritos registram cobertura zero, evidenciando a desigualdade territorial no acesso ao transporte público de alta capacidade.
Acesso à infraestrutura cicloviária
A República lidera o indicador de acesso a ciclovias e ciclofaixas, alcançando cobertura de 100% da população.
Já Anhanguera, Perus, Guaianases, Lajeado, Itaim Paulista e Marsilac não registraram acesso à infraestrutura cicloviária dentro do critério analisado.
Violência contra mulheres e população LGBTQIAP+
Os dados atualizados de direitos humanos também revelam desigualdades significativas entre os territórios da cidade.
Violência contra a mulher
O menor índice foi registrado em Vila Andrade, enquanto a Sé apresentou o maior coeficiente de violência contra mulheres entre os distritos paulistanos.
Violência contra a população LGBTQIAP+
Jaguara e Marsilac não registraram ocorrências no período analisado.
Em contraste, a República apresentou o maior coeficiente de violência homofóbica e transfóbica da cidade.
Como é calculado o Ranking do Mapa da Desigualdade?
O ranking considera 45 indicadores temáticos relacionados à qualidade de vida na cidade. Em cada indicador, o distrito com melhor desempenho recebe 96 pontos. O segundo colocado recebe 95 pontos, o terceiro 94 e assim sucessivamente, até o último colocado receber 1 ponto.
A pontuação final corresponde à média obtida pelo distrito nos indicadores para os quais existem dados disponíveis. Esse método permite comparar diferentes regiões da cidade e identificar onde estão as maiores desigualdades urbanas.
Além do ranking geral, o Mapa da Desigualdade permite analisar 11 áreas temáticas
O Ranking Geral oferece uma visão ampla da qualidade de vida nos distritos da capital paulista, mas o Mapa da Desigualdade também permite observar o desempenho dos territórios em áreas específicas.
Essa análise ajuda a identificar desafios e potencialidades de cada região, já que um distrito pode apresentar bons resultados em determinado tema e enfrentar dificuldades em outro.
Os indicadores estão organizados em 11 rankings temáticos:





Saúde
O ranking de saúde considera indicadores relacionados ao acesso aos serviços e às condições de vida da população, como gravidez na adolescência, mortalidade materna, mortalidade infantil, idade média ao morrer, tempo de espera para consultas na atenção básica e mortalidade por Covid-19.
Educação
A área de educação reúne indicadores sobre acesso, permanência e qualidade do ensino público, incluindo vagas em creches, abandono escolar, distorção idade-série, desempenho no Ideb, formação docente e esforço dos professores.
Segurança Pública
O ranking avalia indicadores de violência e proteção à população, como feminicídios, homicídios, homicídios de jovens, agressões por intervenção policial, mortes decorrentes de intervenção policial e deslocamento para denúncias de violência contra a mulher.
Direitos Humanos
A análise contempla indicadores de violência contra mulheres, população LGBTQIAP+ e população negra, permitindo observar como diferentes grupos são impactados pela desigualdade nos territórios.
Meio Ambiente
O tema reúne dados sobre cobertura vegetal, emissão de poluentes atmosféricos, áreas contaminadas e disponibilidade de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), fundamentais para a gestão adequada de resíduos.
Mobilidade
O ranking de mobilidade considera velocidade média dos ônibus, tempo de deslocamento por transporte público, acesso a transporte de massa e acesso à infraestrutura cicloviária.
Trabalho e Renda
A área avalia a oferta de emprego formal, remuneração média e desigualdade salarial entre os trabalhadores dos diferentes distritos.
Habitação
Os indicadores analisam a vulnerabilidade habitacional, incluindo famílias em atendimento provisório por situação de risco e a proporção de domicílios localizados em favelas.
Cultura
O ranking mede o acesso da população a equipamentos culturais, centros culturais, cinemas e espaços culturais independentes.
Infraestrutura Digital
A conectividade é avaliada por meio dos indicadores de acesso à internet móvel por área e por população.
Esporte
A dimensão esportiva considera a presença de equipamentos públicos de esporte e quadras esportivas em escolas públicas.
Por que os rankings temáticos são importantes?
A análise temática permite compreender que a desigualdade urbana não se manifesta da mesma forma em todos os territórios. Enquanto alguns distritos apresentam bons indicadores de educação, por exemplo, podem enfrentar dificuldades em mobilidade, habitação ou acesso à cultura.
Essa leitura mais detalhada ajuda gestores públicos, organizações da sociedade civil, pesquisadores e cidadãos a identificar prioridades de investimento e monitorar a efetividade das políticas públicas em cada região da cidade.
O que o Mapa da Desigualdade revela sobre São Paulo?
Os resultados reforçam que o CEP continua sendo um dos fatores que mais influenciam a qualidade de vida dos moradores da capital paulista. Enquanto alguns distritos concentram acesso a serviços públicos, equipamentos culturais, transporte e oportunidades de trabalho, outros ainda enfrentam desafios estruturais históricos.
Ao reunir indicadores de saúde, educação, mobilidade, habitação, segurança, meio ambiente e direitos humanos, o Mapa da Desigualdade oferece um retrato detalhado das desigualdades urbanas e contribui para o debate sobre políticas públicas mais justas e eficientes para a cidade de São Paulo.


